Toda empresa hoje coleta muito mais informação do que consegue entender. Cada compra, cada clique, cada atendimento vira uma linha guardada em algum banco de dados. E aí surge a pergunta que ninguém no time consegue responder: por que as vendas caíram doze por cento em março? É exatamente para responder perguntas assim que existe o analista de dados — o profissional que pega um monte de número solto e devolve uma resposta que dá para agir em cima.

O que faz um analista de dados

O que faz um analista de dados

O analista de dados coleta, organiza, analisa e apresenta informações para apoiar decisões de negócio. Ele fica no meio do caminho entre a área técnica e a área que precisa decidir.

O dia dele costuma ter quatro etapas. Primeiro, entender a pergunta de negócio — e essa parte é mais difícil do que parece, porque quem pede raramente sabe formular o que quer. Segundo, buscar os dados nos sistemas, geralmente com consultas em SQL. Terceiro, limpar e tratar esses dados, que é onde vai a maior parte do tempo (dado real vem sujo, duplicado e com campo faltando). E quarto, transformar o resultado em gráfico, painel ou apresentação que qualquer pessoa entenda.

Essa última etapa é a que separa o bom do mediano. Análise que ninguém entende não gera decisão nenhuma.

Onde esse profissional atua

Onde esse profissional atua

Varejo e e-commerce

Varejo e e-commerce

Análise de comportamento de compra, previsão de demanda, estudo de carrinho abandonado e desempenho de campanha. É um dos setores que mais contratam para a função.

Bancos e fintechs

Bancos e fintechs

Análise de risco de crédito, detecção de fraude e comportamento de cliente. Setor exigente, com processo seletivo mais técnico, mas que paga acima da média.

Saúde e operadoras

Saúde e operadoras

Indicadores de atendimento, custo assistencial, ocupação de leito e desfecho clínico. Área em expansão e com forte responsabilidade sobre a privacidade dos dados.

Marketing e agências

Marketing e agências

Métricas de campanha, funil de conversão, custo de aquisição e retorno sobre investimento. Costuma ser a porta de entrada mais acessível para quem vem de outra formação.

Setor público e terceiro setor

Setor público e terceiro setor

Indicadores de política pública, educação, segurança e saúde. Menos falado, mas com concursos e projetos que cada vez mais pedem esse perfil.

As ferramentas que a área exige

As ferramentas que a área exige

SQL é inegociável. É a linguagem que consulta banco de dados e aparece em praticamente toda vaga e em praticamente todo teste técnico. Se você só puder aprender uma coisa, aprenda essa.

Excel continua sendo usado todos os dias, e em nível avançado: tabela dinâmica, PROCV e ÍNDICE com CORRESP, formatação condicional. Quem despreza o Excel se dá mal na prática.

Ferramenta de visualização — Power BI ou Looker Studio no Brasil, principalmente. É como o trabalho chega ao resto da empresa.

E Python ou R para as análises mais pesadas, com as bibliotecas de manipulação de tabela e gráfico. Não é exigido em toda vaga júnior, mas é o que destrava a promoção depois.

Acima de tudo isso, porém, está o conhecimento do negócio. Analista que entende como a empresa ganha dinheiro faz perguntas melhores — e pergunta boa vale mais que técnica sofisticada.

O que estudar para entrar na área

O que estudar para entrar na área

Não existe um curso único obrigatório. Estatística, Ciência de Dados, Sistemas de Informação, Ciência da Computação, Engenharia, Economia e Administração são todos caminhos válidos, e há tecnólogos específicos de dois anos voltados para a área.

É também uma das carreiras com mais espaço para migração. Muita gente entra vindo de administração, marketing, contabilidade ou engenharia, aproveitando o conhecimento do setor onde já trabalha e somando as ferramentas.

Para quem vai migrar, o roteiro que costuma funcionar é: Excel avançado, depois SQL, depois Power BI, e então um projeto próprio publicado — pegar uma base pública, analisar de verdade e mostrar o resultado. Portfólio com dois ou três projetos bem-feitos pesa mais em processo seletivo do que certificado solto.

Quanto ganha e como é o crescimento

Quanto ganha e como é o crescimento

Como referência do mercado brasileiro, o analista júnior costuma ficar na faixa de três a cinco mil reais; o pleno, entre seis e nove mil; e o sênior passa dos dez mil, chegando bem acima em empresas de tecnologia e no setor financeiro.

O crescimento normalmente segue por dois caminhos: aprofundar na técnica (rumo a cientista ou engenheiro de dados) ou seguir para gestão e estratégia (coordenação de BI, head de dados). Confira sempre valores atualizados antes de negociar, porque a área tem tido movimento constante.

Dúvidas Frequentes

Qual a diferença para o cientista de dados?

O analista responde o que aconteceu e por quê, com dados históricos. O cientista de dados constrói modelos para prever o que vai acontecer, com estatística e aprendizado de máquina.

E para o engenheiro de dados?

O engenheiro constrói e mantém a estrutura que armazena e move os dados. Ele prepara o caminho; o analista usa o que chega.

Preciso saber programar?

SQL, sim, obrigatoriamente. Python ajuda muito e é praticamente exigido a partir do nível pleno.

Dá para trabalhar remotamente?

É uma das áreas com mais vagas remotas e híbridas do mercado brasileiro.

Preciso de faculdade?

Ajuda bastante e é exigida em muitas vagas, mas a área aceita portfólio forte e experiência prática mais do que a média das profissões.

Para não esquecer:

O analista de dados transforma número em decisão. SQL é a habilidade central, Excel avançado e Power BI vêm logo depois, e Python destrava o crescimento. Conhecimento do negócio vale tanto quanto a técnica, e portfólio com projetos reais é o que abre a primeira porta.

Você está pensando em migrar para a área de dados? Conta pra gente de qual profissão você vem que a gente monta um roteiro. 📊

Planilha Resumo: O Que Faz um Analista de Dados

Planilha Resumo: O Que Faz um Analista de Dados
TópicoEm resumo
Varejo e e-commerceAnálise de comportamento de compra, previsão de demanda, estudo de carrinho abandonado e desempenho de campanha.
Bancos e fintechsAnálise de risco de crédito, detecção de fraude e comportamento de cliente.
Saúde e operadorasIndicadores de atendimento, custo assistencial, ocupação de leito e desfecho clínico.
Marketing e agênciasMétricas de campanha, funil de conversão, custo de aquisição e retorno sobre investimento.
Setor público e terceiro setorIndicadores de política pública, educação, segurança e saúde.
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Ernesto R. do C. Almeida é um psicólogo e consultor de carreira, reconhecido por seu trabalho em Recursos Humanos (RH) e, principalmente, em Orientação Vocacional e Profissional. Ele é o criador e principal autor do site Programa Orienta (programaorienta.com.br), uma plataforma dedicada a auxiliar jovens e adultos na escolha e no desenvolvimento de suas carreiras.

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